Como os vendedores chineses introduzem ilegalmente trotinetes e bicicletas elétricas na UE

As autoridades europeias estão a tomar medidas rigorosas contra uma vaga de bicicletas e trotinetes elétricas importadas da China que evadem direitos aduaneiros, impostos e regulamentos de segurança.


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How Chinese Sellers Smuggle E‑Scooters and E‑Bikes into the EU

As autoridades europeias estão a combater uma vaga de bicicletas elétricas e trotinetes elétricas importadas da China que evadem direitos de importação, impostos e regulamentos de segurança. Os vendedores chineses implementaram uma variedade de táticas de contrabando – desde a falsificação de documentos alfandegários até à exploração de lacunas no IVA – para evitar tarifas elevadas. Para contexto, a UE impôs fortes defesas comerciais às bicicletas elétricas chinesas (direitos anti-dumping e anti-subsídio que totalizam até ~87% do seu valor) para proteger os fabricantes europeus. (As trotinetes elétricas não enfrentaram direitos anti-dumping semelhantes.) Ao evitar estas taxas, os importadores fraudulentos conseguem prejudicar as empresas legítimas com preços artificialmente baixos. Este artigo investiga como funcionam estes esquemas, destaca casos importantes de aplicação da lei em toda a Europa e explica os riscos para os consumidores – terminando com dicas sobre como evitar burlas e comprar produtos de mobilidade elétrica em segurança.

Táticas para Evadir Direitos de Importação e Impostos

Os contrabandistas utilizam métodos sofisticados para fazer passar bicicletas elétricas e trotinetes elétricas pelas alfândegas da UE sem pagar os direitos anti-dumping, IVA ou tarifas exigidos. Algumas das táticas mais comuns incluem declarações falsas de mercadorias, abuso de procedimentos alfandegários especiais, esquemas fraudulentos de IVA e a ocultação da verdadeira origem dos produtos. Frequentemente, estes truques são combinados para criar redes de fraude complexas. Abaixo, detalhamos os principais métodos utilizados.

Declarações Falsas e Subavaliação

Um estratagema básico é declarar incorretamente o conteúdo ou o valor do envio na documentação de importação. Os importadores fraudulentos podem rotular bicicletas elétricas como produtos diferentes que não estão sujeitos a direitos de importação, ou declarar um valor drasticamente inferior para reduzir o montante tributável. Numa operação recente da UE, os investigadores descobriram 380 declarações de importação falsificadas onde as bicicletas elétricas foram subavaliadas e o seu país de origem deturpado. Ao declarar um preço mais baixo ou uma categoria de produto falsa, os perpetradores evadiram uma parte significativa dos direitos de importação e anti-dumping que normalmente se aplicariam. Noutro esquema, documentação falsa fez passar bicicletas elétricas chinesas como “peças sobressalentes” ou outros artigos não sujeitos à tarifa anti-dumping de 87%. Estas declarações falsas permitem que contentores de bicicletas elétricas passem pela alfândega parecendo inofensivos ou de baixo valor, escapando aos direitos adequados.

Abuso das Regras de Trânsito Alfandegário (Procedimento 42)

Muitos burlões exploram regimes alfandegários da UE destinados a facilitar o comércio legítimo. Um excelente exemplo é o abuso dos procedimentos de trânsito e do Procedimento Alfandegário 42. Ao abrigo do Procedimento 42, as mercadorias que entram na UE com destino a outro Estado-Membro podem ser importadas sem IVA no país de entrada (o IVA deve ser pago no país de destino). Da mesma forma, o procedimento de trânsito suspende os direitos e o IVA enquanto as mercadorias se movem através da UE até um ponto de desalfandegamento final. Os contrabandistas aproveitaram estas regras declarando bicicletas elétricas fabricadas na China em trânsito para um destino fora da UE ou outro país da UE – evitando assim, inicialmente, o IVA ou direitos – mas depois desviando os envios para armazéns locais sem nunca pagar os impostos. Num caso na Polónia, contentores de bicicletas elétricas foram declarados “em trânsito” pela UE, mas secretamente descarregados na Polónia, nunca chegando ao destino suposto. Alguns esquemas chegaram a apresentar pedidos fabricados de que as mercadorias tinham saído da UE, quando, na verdade, foram vendidas internamente. Quando as autoridades fiscais se apercebem de que as mercadorias nunca saíram verdadeiramente do trânsito, as bicicletas já foram vendidas aos consumidores e os importadores desapareceram.

Fraude de IVA de “Operador Desaparecido”

Outra camada do esquema envolve uma complexa evasão ao IVA conhecida como fraude de “operador desaparecido”. Nestes casos, os perpetradores criam uma empresa de fachada num país da UE para atuar como importador ou vendedor das bicicletas elétricas. A empresa (muitas vezes apenas uma empresa fantasma) vende as bicicletas importadas aos consumidores e cobra-lhes o IVA, mas depois a empresa desaparece sem remeter o IVA ao governo. Como explica o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), o operador torna-se “desaparecido” após cobrar o IVA, deixando as autoridades fiscais de mãos a abanar. Esta tática foi observada na investigação polaca, onde foram usadas empresas fantasma para evitar o pagamento de milhões em IVA sobre as vendas de bicicletas elétricas. É frequentemente utilizada em conjunto com truques alfandegários – por exemplo, um burlão pode importar bicicletas elétricas ao abrigo do Procedimento 42 (adiando o IVA na entrada) e depois vendê-las através de uma empresa fantasma doméstica que acaba por desaparecer. O resultado não é apenas a evasão de direitos alfandegários, mas também o IVA não pago ao longo da cadeia de abastecimento.

Ocultação da Origem com Montagem na Europa

Para evitar especificamente as tarifas anti-dumping, alguns importadores ocultam a origem chinesa das bicicletas elétricas enviando-as em peças ou encaminhando-as através de países terceiros. Uma grande investigação (com o nome de código “Pedelecs”) descobriu que, desde 2020, uma empresa portuguesa importava bicicletas elétricas desmontadas da China e voltava a montá-las localmente. Ao importar as bicicletas como peças separadas (quadros, motores, baterias enviados separadamente), pretendiam contornar os elevados direitos sobre bicicletas elétricas completas. As remessas foram deliberadamente declaradas incorretamente à alfândega como se fossem apenas componentes de bicicleta. Da mesma forma, em França, as autoridades descobriram um esquema onde um grupo de empresas chinesas apresentava bicicletas elétricas totalmente construídas como “peças sobressalentes” nos documentos de importação, mascarando a sua verdadeira origem. Ao alterar artificialmente a forma ou origem declarada do produto, estes importadores tentaram explorar lacunas nas medidas comerciais da UE promulgadas em 2018 contra bicicletas elétricas chinesas. Em Itália, uma investigação revelou que uma empresa evadiu quase 10 milhões de euros em direitos ao importar bicicletas elétricas completas sob forma não montada através de múltiplas pequenas remessas desde 2019. Todos estes casos seguem o mesmo padrão: desmontar ou re-rotular o produto para evitar a tarifa de bicicletas elétricas “Made in China”, e depois inundar silenciosamente o mercado da UE com bicicletas remontadas.

Utilização de Empresas Fantasma e Armazéns na UE

Os vendedores chineses também exploram estruturas corporativas na UE para tornar as operações de contrabando mais difíceis de detetar. Ao registar empresas fantasma ou empresas parceiras em países como França, Países Baixos ou Polónia, criam uma “face” local para o negócio, enquanto as operações reais permanecem na China. Por exemplo, em 2023, a Procuradoria Europeia (EPPO) em Paris prendeu o gestor de um grupo de importação de bicicletas elétricas chinês sediado em França por uma fraude de 26 milhões de euros. O esquema do grupo envolvia trazer bicicletas elétricas para a Europa através destas entidades francesas, ocultando a origem chinesa das bicicletas e evitando direitos. Ter uma empresa ou armazém em solo da UE também permite aos vendedores armazenar produtos localmente. No caso polaco, milhares de bicicletas elétricas foram armazenadas em armazéns de comércio eletrónico polacos e vendidas online por comerciantes não europeus, dando aos compradores a impressão de uma venda baseada na UE. Na realidade, essas bicicletas tinham entrado sem as taxas de importação adequadas. Da mesma forma, o OLAF descobriu que, uma vez que as remessas ilícitas estavam dentro da UE, eram entregues em armazéns de logística e vendidas aos consumidores sem IVA adicionado, prejudicando os concorrentes honestos. Uma empresa fantasma da UE pode abusar das regras do IVA (como discutido acima) e depois desaparecer, tornando a aplicação da lei difícil. Estas configurações também permitem aos vendedores anunciar “envio da UE” – enganando os consumidores para pensarem que o produto já está desalfandegado, quando, na verdade, a importação pode ter sido fraudulenta.

Combate à Fraude: Casos Importantes na Europa

As agências de alfândega e de combate à fraude em toda a UE têm perseguido ativamente estes esquemas de importação ilícita. Operações conjuntas lideradas pelo OLAF (Organismo Europeu de Luta Antifraude) e pela Procuradoria Europeia (EPPO), em cooperação com as alfândegas nacionais, resultaram em apreensões significativas de bicicletas elétricas e detenções relacionadas. A tabela abaixo destaca vários casos de alto perfil descobertos nos últimos anos, mostrando a escala do problema e a resposta das autoridades:

Ano Local (Agência) Detalhes do Esquema Evasão Estimada
2023 França (EPPO) Grupo de importação chinês ocultou a origem chinesa; declarou bicicletas elétricas completas como “peças sobressalentes” para contornar medidas comerciais da UE de 2018 26 milhões de euros em direitos e impostos
2024 Polónia (OLAF) 20.000 bicicletas elétricas contrabandeadas via procedimento de trânsito abusado; documentos falsos rotularam bicicletas elétricas como outros produtos; mercadorias desviadas para armazéns polacos 8 milhões de euros em direitos anti-dumping + 4 milhões de euros em IVA
2024 Itália (EPPO) Importações de bicicletas elétricas completas sob forma não montada (múltiplas remessas de peças) para evitar direitos anti-dumping introduzidos em 2019 9,8 milhões de euros em direitos e IVA evadidos
2025 Irlanda (OLAF) 4.000 bicicletas elétricas (mais trotinetes elétricas) encontradas em armazéns de comércio eletrónico; fraude envolveu declarações falsas de mercadorias e remoção não autorizada do trânsito 2,3 milhões de euros em direitos de importação não pagos
2025 Portugal, DE, BE, NL (EPPO) Operação “Pedelecs”: Empresa portuguesa importou bicicletas elétricas desmontadas (concebidas na China) para montagem e venda na UE; declarou incorretamente peças para evitar direitos 2,25 milhões de euros em direitos alfandegários
2025 Países Baixos (EPPO) Quatro suspeitos detidos por subavaliar sistematicamente importações de bicicletas elétricas e falsificar a origem (380 declarações alfandegárias falsas) 7,2 milhões de euros em direitos evadidos; 9 milhões de euros em ativos apreendidos

*Oficiais da Alfândega polaca inspecionam um armazém de bicicletas elétricas apreendidas durante uma operação conjunta do OLAF (Polónia, 2024). Os burlões tinham encaminhado estas bicicletas elétricas através de procedimentos de trânsito para evitar direitos anti-dumping, resultando numa das maiores apreensões de importações ilícitas de bicicletas elétricas.*

Como mostram os casos acima, as agências de aplicação da lei descobriram esquemas que variam de alguns milhares a dezenas de milhares de bicicletas elétricas, com perdas fiscais por caso a atingirem milhões de euros. A Procuradoria Europeia, que se tornou operacional em 2021, tem-se concentrado nestas fraudes transfronteiriças contra o orçamento da UE. Só nos Países Baixos, a EPPO lançou múltiplas investigações sobre fraude na importação de bicicletas elétricas em 2025, refletindo a prioridade da questão. O OLAF, trabalhando com as alfândegas nacionais, também liderou ações coordenadas. Por exemplo, as rusgas aos armazéns irlandeses em 2025 fizeram parte de uma repressão liderada pelo OLAF em vários Estados-Membros. Nesse caso, os analistas do OLAF tinham fornecido às autoridades alfandegárias provas das técnicas de fraude específicas que estavam a ser utilizadas para evitar direitos de importação e IVA, permitindo apreensões direcionadas. Esta abordagem colaborativa está a dar resultados: “Ao trabalhar em estreita colaboração com os Estados-Membros, o OLAF ajuda a garantir que aqueles que tentam explorar as regras da UE sejam identificados e travados. Juntos, estamos a deixar claro que tal abuso não ficará sem resposta”, disse o Diretor-Geral do OLAF, Ville Itälä. A mensagem destas ações de aplicação da lei é que as autoridades europeias estão a perseguir ativamente a fraude fiscal na mobilidade elétrica, e os perpetradores – não importa quão bem escondidos atrás de empresas fantasma ou faturas falsas – estão a ser cada vez mais apanhados.

Riscos para os Consumidores: Porque é que as Importações Ilegais Baratas Não Valem a Pena

Os consumidores podem sentir-se atraídos pelos preços baixos de bicicletas elétricas ou trotinetes vendidas diretamente por vendedores estrangeiros. No entanto, comprar um produto que foi contrabandeado ou importado ilegalmente acarreta riscos significativos e custos ocultos. Alguns dos perigos e desvantagens para os consumidores incluem:

  • Riscos de Segurança do Produto: As bicicletas elétricas e trotinetes elétricas contrabandeadas podem não cumprir as normas de segurança da UE. Os importadores legítimos devem garantir que os veículos possuem a marcação CE adequada, carregadores de bateria certificados e conformidade com regulamentos como a Diretiva Máquinas e as regras de segurança das baterias. Os dispositivos importados fraudulentamente contornam frequentemente estas verificações. Isto aumenta o risco de acidentes, tais como incêndios nas baterias ou avarias elétricas. As autoridades de combate a incêndios alertam que muitas baterias de bicicletas elétricas baratas e kits de conversão vendidos online são perigosas “bombas-relógio” que podem incendiar-se em fogos ferozes. Sem a devida supervisão, baterias de lítio ou carregadores de qualidade inferior podem representar perigos mortais. Comprar a um vendedor desconhecido que evadiu a alfândega significa que não tem garantia de que o produto foi testado ou que é sequer autêntico.
  • Faturas de Impostos Inesperadas ou Apreensões: Se um pacote não for devidamente declarado, o comprador pode ter uma surpresa desagradável quando este chegar. Ao abrigo das regras da UE, todas as importações estão sujeitas a IVA (e direitos se forem superiores a 150 euros). As plataformas online de renome cobram normalmente estes valores no momento do pagamento ou utilizam o sistema Import One-Stop-Shop. Mas se um vendedor enviar uma bicicleta elétrica secretamente (por exemplo, falsamente rotulada como um item de baixo valor), a alfândega pode intercetá-la e responsabilizá-lo pelo IVA/direitos não pagos. Na prática, as transportadoras podem exigir que pague as taxas de importação em dívida (mais encargos administrativos) antes de entregar o pacote. Em cenários piores, as mercadorias podem ser confiscadas pela alfândega por violação das leis de importação, deixando-o sem produto algum.
  • Sem Garantia ou Apoio: Os importadores ilícitos estão cá hoje e desaparecem amanhã. Se a sua bicicleta elétrica se revelar defeituosa ou se a bateria morrer após alguns meses, obter serviço pós-venda ou um reembolso pode ser impossível. As marcas genuínas vendidas através de revendedores autorizados oferecem normalmente garantias e peças sobressalentes. Pelo contrário, muitos vendedores de mercados obscuros operam através de empresas fantasma que desaparecem (o cenário de “operador desaparecido” mencionado anteriormente). Consumidores em fóruns relataram casos de encomendar bicicletas elétricas que supostamente seriam enviadas de um armazém local da UE, apenas para não receber nada ou receber um item inútil pelo correio. Embora grandes plataformas como AliExpress ou Amazon possam reembolsar burlas flagrantes, é um incómodo e não é garantido se o vendedor já tiver desaparecido.
  • Questões Éticas e Legais: Comprar um produto que evitou impostos de importação, mesmo que sem saber, pode ter implicações mais amplas. Contribui para a concorrência desleal contra empresas que cumprem a lei e pode apoiar indiretamente a fraude organizada. Em casos raros, as autoridades podem investigar os compradores se houver provas de envolvimento deliberado na evasão (embora a aplicação da lei tenda a visar os vendedores). Apoiar o mercado cinzento mina os princípios da proteção do consumidor e da justiça fiscal.

Em resumo, embora aquela bicicleta ou trotinete elétrica de pechincha de um site estrangeiro possa poupar-lhe dinheiro à partida, pode acarretar perigos ocultos significativos. Do ponto de vista da segurança e financeiro, as potenciais desvantagens superam em muito as poupanças iniciais.

Consequências Económicas Mais Amplas

O contrabando de bicicletas elétricas e trotinetes elétricas da China não prejudica apenas os consumidores individuais – tem repercussões mais amplas para a economia e indústria europeias. Em primeiro lugar, está a perda de receitas governamentais. Cada contentor de bicicletas elétricas não declaradas significa dezenas de milhares de euros em direitos e IVA não pagos que não vão para os orçamentos públicos. Por exemplo, uma investigação do OLAF estimou que 12 milhões de euros em direitos e impostos foram evadidos num único esquema. Multiplique esses casos por toda a Europa e as perdas fiscais acumulam-se, reduzindo os fundos que poderiam ser usados para serviços públicos ou infraestruturas.

Outro impacto importante é na concorrência leal e nas empresas locais. Os fabricantes europeus de bicicletas elétricas e os importadores legítimos estão a operar com uma grande desvantagem se os concorrentes introduzirem produtos sem o mesmo peso de custos. A UE introduziu os seus direitos anti-dumping precisamente para nivelar o campo de jogo e proteger a indústria de bicicletas elétricas da UE (que emprega cerca de 12.000 pessoas) de ser prejudicada por importações subsidiadas. Quando vendedores sem escrúpulos evadem esses direitos, minam essas medidas de proteção. O diretor do OLAF observou que, ao evadir impostos, os burlões podiam vender bicicletas a “preços muito competitivos – fácil de fazer quando se evade impostos”, colocando em risco os empregos dos trabalhadores europeus honestos. Em França, a federação de comércio eletrónico FEVAD alertou que as plataformas online chinesas que não pagam direitos representam “uma ameaça para todos os retalhistas”, uma vez que uma empresa francesa que importa o mesmo produto deve pagar impostos de importação, enquanto a plataforma estrangeira não. Este tipo de concorrência desleal pode expulsar do mercado vendedores legítimos sediados na UE.

A proliferação de importações não tributadas também arrisca encorajar uma corrida para o fundo. Se não for controlada, as empresas que cumprem a lei podem sentir pressão para cortar custos para competir, levando a mais comércio ilícito e a uma maior erosão dos padrões. Além disso, o afluxo de bicicletas elétricas ultra-baratas pode diluir a confiança na marca e inundar o mercado com produtos de qualidade inferior, o que, por sua vez, pode prejudicar a confiança do consumidor na mobilidade elétrica.

Orientação ao Consumidor: Como Evitar Burlas e Comprar em Segurança

Para os consumidores que procuram comprar uma bicicleta ou trotinete elétrica, existem vários passos a seguir para garantir que está a obter um produto legítimo e não a apoiar involuntariamente a fraude. Aqui estão algumas dicas para fazer uma compra informada e segura:

  • Compre a vendedores de renome ou distribuidores oficiais: Sempre que possível, compre bicicletas ou trotinetes elétricas de marcas estabelecidas, revendedores autorizados ou plataformas de retalho bem conhecidas que cumpram os regulamentos de importação da UE. Seja cauteloso com vendedores de mercados online de ocasião que oferecem preços inacreditáveis.
  • Cuidado com preços “demasiado bons para serem verdade”: Preços extremamente baixos podem ser um sinal de alerta para evasão fiscal ou burlas. Compare o preço com a gama de mercado típica para esse modelo. Se uma bicicleta elétrica de 2.000 euros está a ser vendida por 1.000 euros por um vendedor obscuro, há uma boa hipótese de os custos estarem a ser cortados por meios ilícitos.
  • Garanta que o IVA e os direitos são tratados: Ao abrigo da lei da UE, todas as importações devem ter o IVA pago. Se está a comprar a um vendedor estrangeiro, verifique como os impostos são cobrados. Se um vendedor anuncia “envio gratuito, sem impostos” num item de 500+ euros, isso é um sinal de alerta. Em caso de dúvida, assuma que o IVA/direitos serão aplicados e inclua isso no custo.
  • Procure conformidade e certificação: Verifique se o produto cumpre as normas da UE – isto é tanto uma questão de segurança como um sinal de legitimidade. A bicicleta ou trotinete elétrica deve ter uma marcação CE e vir com a documentação adequada. Lembre-se, se importar um item diretamente, torna-se tecnicamente o “importador” responsável pela conformidade – um fardo que a maioria dos consumidores não deveria ter de carregar.
  • Pague de forma segura e guarde registos: Utilize métodos de pagamento que ofereçam proteção ao comprador (cartão de crédito, serviços de pagamento de renome) em vez de transferências bancárias diretas para vendedores desconhecidos. Desta forma, se o item nunca chegar ou for muito diferente do descrito, tem algum recurso para contestar a cobrança.

Ao seguir estas diretrizes, os consumidores podem reduzir drasticamente as hipóteses de serem vítimas de esquemas de contrabando ou produtos inseguros. A chave é manter-se informado e vigilante: saiba a quem está a comprar, insista na conformidade e desconfie de ofertas que pareçam implausíveis. Isto não só o protegerá como consumidor, como também apoia práticas comerciais justas e o desenvolvimento de um mercado saudável e competitivo para bicicletas e trotinetes elétricas a longo prazo.

Aviso Legal: Este artigo baseia-se em investigações e casos reportados até 2025, incluindo fontes do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF), da Procuradoria Europeia (EPPO) e outros relatórios oficiais. Consulte sempre os regulamentos alfandegários mais recentes e os avisos ao consumidor para obter informações atualizadas.

Referências

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